Oh Estações, Oh Castelos (1958), de Agnès Varda, chega ao catálogo da FILMICCA nesta sexta-feira (19/06). Realizado no início da carreira da cineasta, o curta percorre o Vale do Loire apresentando os castelos da região em ordem cronológica de construção, com narração da atriz Danièle Delorme e trechos recitados de poemas de Ronsard, Charles d'Orléans, Villon e Clément Marot. Encomendado pelo Office National du Tourisme e selecionado para o Festival de Cannes de 1958, o filme toma emprestado o título do poema homônimo de Arthur Rimbaud. Fotógrafa profissional antes de se dedicar ao cinema, Varda imprime ao curta uma estética visual que subverte a proposta turística original: apenas um terço se concentra de fato nos castelos. O restante se volta para pintores amadores da região, jardineiros e outros trabalhadores da região. Cada castelo é associado a uma personalidade histórica: Talcy e Ronsard, Amboise e Carlos VIII, Blois e Villon, Chambord e Francisco I. Intercalando dados históricos com comentários dos moradores do local, Varda expõe a grandiosidade da arquitetura medieval e a vida cotidiana das pessoas comuns que habitam e trabalham por lá, revelando, no início de sua carreira, uma das marcas de seu cinema: o olhar atento para os invisíveis. Chamada de "mãe da Nouvelle Vague francesa", Varda escreveu e dirigiu seu primeiro longa-metragem, La Pointe Courte (1955), filme considerado precursor do movimento, sem qualquer formação formal em cinema.. Ao longo de uma carreira, criou um vocabulário cinematográfico único que percorre entre a ficção e o documentário, apresentando retratos íntimos e uma consciência social à contracultura dos anos 1960, ao movimento de libertação feminina e à condição dos marginalizados.
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