sexta-feira, 10 de julho de 2026

DE VOLTA AO QUARTO ESCURO: RESIDÊNCIA INÉDITA, CONVIDA ARTISTAS A INVESTIGAR O FUTURO DA FOTOGRAFIA ANALÓGICA

De volta ao quarto escuro: residência inédita em Curitiba

Idealizada por Pretícia Jerônimo, Luz Negra: De Volta ao Quarto Escuro abre inscrições de 13 a 26 de julho para selecionar seis artistas em uma residência artística independente e gratuita dedicada aos processos fotográficos históricos, alternativos e analógicos

Pretícia Jerônimo ministra oficina sobre processos fotográficos analógicos e históricos, pesquisa que dá origem à residência artística “Luz Negra: De Volta ao Quarto Escuro”
Na foto de Léco Souza, imagem registra uma das experiências formativas conduzidas pela artista com a turma de Licenciatura em Artes Visuais da Faculdade de Belas Artes do Paraná, em 2018. 

Toda fotografia nasce da luz. Algumas também nascem da espera. Em um tempo em que produzir imagens se tornou um gesto instantâneo, “Luz Negra: De Volta ao Quarto Escuro” propõe outro ritmo: o tempo da observação, da experimentação e da construção do olhar. A residência artística abre inscrições de 13 a 26 de julho para selecionar seis artistas que participarão de uma formação gratuita dedicada aos processos fotográficos históricos, alternativos e analógicos.

Idealizada pela artista visual, laboratorista, pesquisadora e fundadora do LAB Secreto, Pretícia Jerônimo, a residência é uma iniciativa independente que marca os dez anos de atuação do laboratório e ganha forma a partir do encontro com a fundadora e diretora da ARS55, Marina Barancelli, e com o artista e fundador da Oficina Espaço de Arte, Deré Souza. “Durante muitos anos construí essa pesquisa dentro do laboratório. Agora chegou o momento de fazê-la circular. O conhecimento precisa circular. A residência nasce para compartilhar esses processos, formar novas pessoas e fortalecer uma comunidade que mantenha vivos esses saberes”, afirma Pretícia.

Juntos, LAB Secreto, ARS55 e Oficina Espaço de Arte unem pesquisa, produção cultural e formação artística para democratizar conhecimentos que, historicamente, permaneceram restritos a laboratórios especializados e a processos de alto custo. “São técnicas que exigem estrutura, materiais e tempo de dedicação. Criar uma residência gratuita com essa profundidade significa abrir caminhos para que novos artistas possam experimentar esses processos, desenvolver suas próprias pesquisas e manter esses conhecimentos vivos”, afirma Marina Barancelli.

Voltada a artistas visuais, fotógrafos iniciantes, professores, educadores populares e arte-educadores maiores de 18 anos residentes em Curitiba e Região Metropolitana, a residência oferece três meses de formação teórica e prática, com fornecimento de materiais, insumos e auxílio-transporte aos participantes selecionados.

O tempo como matéria da fotografia
Enquanto a fotografia contemporânea acelera, Pretícia Jerônimo escolhe investigar aquilo que exige tempo. Sua pesquisa se desenvolve a partir da fotografia analógica e dos processos históricos, compreendendo a imagem como construção, experiência e permanência.

Essa perspectiva orienta a metodologia da fotografia lenta, desenvolvida pela artista para estimular uma relação mais consciente com a produção visual em um cenário marcado pelo excesso de imagens. Em vez da lógica do registro imediato, o processo convida os participantes a experimentar o tempo da observação, da espera e da revelação.

O próprio nome da residência traduz essa pesquisa. A luz negra faz referência à luz ultravioleta utilizada em processos históricos, como a cianotipia, mas também simboliza a potência dos conhecimentos produzidos por pessoas negras, referências que estruturam a proposta curatorial da formação. Inspirada nas filosofias africanas presentes na obra “O Espírito da Intimidade”, de Sobonfu Somé, a residência propõe uma perspectiva afrocentrada para refletir sobre imagem, território, memória e representação. “Está presente nos processos fotográficos históricos, mas também representa os conhecimentos produzidos por pessoas negras que orientam essa formação. A fotografia é um lugar onde autorizamos determinados olhares. Quando produzimos uma imagem, também afirmamos que aquele olhar importa. É isso que queremos compartilhar: outras referências, outras narrativas e outras formas de construir memória”, afirma Pretícia.

Uma década de pesquisa compartilhada

Em 2026, o LAB Secreto completa dez anos dedicados à pesquisa, preservação e difusão dos processos fotográficos históricos, alternativos e analógicos. A residência transforma essa trajetória em um espaço de formação, criando oportunidades para que novos artistas tenham acesso a técnicas, referências e práticas que raramente integram os circuitos convencionais de ensino.

Neste ano, Pretícia também participou como artista convidada da 61ª Bienal de Veneza, a convite da Savvy Contemporary, organização sediada em Berlim. A experiência ampliou seu contato com diferentes perspectivas da produção artística contemporânea e fortaleceu o repertório conceitual que será compartilhado durante a residência. “Fui para olhar, aprender e trazer referências. Voltei ainda mais convencida de que o conhecimento precisa circular. A residência nasce desse desejo de compartilhar uma pesquisa construída ao longo dos anos, formar outras pessoas e fortalecer uma comunidade capaz de preservar esses processos e criar novas possibilidades para a fotografia”, destaca Pretícia.

Formação independente em Curitiba

A seleção dos seis residentes vai ser realizada por uma comissão de curadoria formada por Alice Rodrigues, Bruna Alcântara, Dani Carvalho e Ayala dos Prazeres, responsáveis pela avaliação dos trabalhos e cartas de intenção dos candidatos.

A residência, de iniciativa independente, acontece na Oficina Espaço de Arte, em Curitiba, e oferece aos participantes selecionados uma formação gratuita, com materiais, insumos laboratoriais e auxílio-transporte. As inscrições acontecem de 13 a 26 de julho de 2026. O formulário está disponível no link da bio do Instagram do LAB Secreto (@lab_secreto) e no site da ARS55: https://www.ars55.com/luznegra. A residência inicia em 18 de agosto de 2026.



SERVIÇO: Residência Artística - Luz Negra: De Volta ao Quarto Escuro

Inscrições: 13 a 26 de julho de 2026

Vagas: 6 residentes

Público: artistas visuais, fotógrafos iniciantes, professores, educadores populares e arte-educadores maiores de 18 anos, residentes em Curitiba e Região Metropolitana.

Período da residência: de 18 de agosto a novembro de 2026.

Local: Oficina Espaço de Arte (Alameda Júlia da Costa, 214 - Centro)

Acesso ao edital e inscrições: link da bio do Instagram @lab_secreto | www.ars55.com/luznegra 

Realização: LAB Secreto | ARS55 | Oficina Espaço de Arte.


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