quarta-feira, 1 de abril de 2026

TIM MAIA - VALE TUDO O MUSICAL QUE BALANÇOU AS ESTRUTURAS DO GUAIRA

     O Festival de Curitiba, traz o musical Tim Maia, maior do que seus         próprios erros, fez o Guairão tremer, com ajuda de menino de 9 anos

Musical que retrata uma das lendas da música brasileira tem última sessão nesta quarta, às 20h30, dentro da programação da Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba

Com ingressos esgotados, musical sobre Tim Maia é super elogiado no Festival de Curitiba (Créd. Lina Sumizono).jpg
             Com ingressos esgotados, o musical sobre Tim Maia é super elogiado no Festival de Curitiba              (Créd. Lina Sumizono)

Em frente ao Guairão, para quem passou na noite de ontem em frente ao grande auditório, jura que viu a estrutura de um dos maiores teatros do Brasil chacoalhar. Quem estava dentro, confirma a empolgação da plateia, com senhorinhas dançando e até um menino de 9 anos, João, cantando com entusiasmo todas as músicas da primeira sessão do musical “Tim Maia – Vale Tudo”, em cartaz na Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba.

O rapazote, assentado no distante primeiro balcão, não passou despercebido nem mesmo por Thór Junior, que no palco incorpora a lenda da música suingada brasileira, responsável por fundir samba e soul como ninguém até então havia feito. A certa altura do espetáculo, o ator chegou a comentar ao microfone: “Ih, tem uma criança na plateia. Tomara que esteja acompanhada dos pais”, brincou, numa referência ao sentido um tanto libidinoso de algumas canções. 


O artista Tim Maia morreu há 28 anos, e o fato de uma criança hoje conhecer de cor seu repertório pega muita gente no contrapé. “É maravilhoso saber que depois de tanto tempo tem um menino que ama e canta Tim Maia”, reforçou Thór Junior, durante entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 01, na Sala Imprensa Teuda Bara e Maurício Vogue, no Hotel Mabu. “Ele sabia todas as músicas, e deve entender um pouco, acho.”  

Eu estive lá, assisti à primeira apresentação, que fez as pessoas vibrarem, entoarem muitas das canções do extenso repertório do artista que revolucionou a sua geração e deixou seu legado, de um ser humano muito sensível e que deu muitos tropeções pela vida... vale tudo, até que na curva e no vento, no Teatro Municipal de nic-nic, Niterói, Rio de Janeiro se sentiu mal durante um show. Foi levado ao hospital da cidade e o desfecho muitos de nós conhecemos. 

Por falar neste sentimento: emoção também foi sentida e notória em Carmelo Maia (de camiseta pretafilho de Tim e responsável por administrar o espólio do cantor, que foi chamado ao palco e fez questão de agradecer ao público, lembrando que o musical antes foi apresentado em São Paulo e no Rio de Janeiro, e agora no Teatro Guaira, para um público que aplaudiu do inicio ao fim sem cerimônia ou circunstância.   

Declarou “O Teatro Guaíra ontem retratou fidedignamente o que era um show do meu pai”,                                                                                  afirmou. “E se eu falar mais cinco minutos sobre ista aqui, eu vou chorar.

Com texto de Nelson Motta, “Tim Maia – Vale Tudo” foi mesmo pensado para funcionar como uma celebração. A montagem destaca Tim Maia como artista, passa pelas histórias pessoais e familiares que formaram sua persona, mas se mantém longe de episódios que, para muitos, fizeram dele um personagem folclórico, espécie de maluco-mor e de total irresponsabilidade com seus compromissos profissionais, foi um artista e tanto, mas sofria com seus sentimentos de amor. 

A música é mais importante do que as falhas. Ele pode ter cometido dez erros, mas acertou cem vezes. Foi o responsável por pavimentar o caminho para pessoas como eu, deixar tudo menos esburacado”, faloi o ator cantor, Thór Junior, escolhido para interpretar Tim depois de 1,5 mil outros terem passado pelas audições.

Thor Jr., também comentou na Sala de Imprensa, nesta manhã, da barra e desencontros que lhe aconteceram até chegar para fazer o teste para interpretar o cantor. 

Entrava todo mundo naquela sala, até o Harry Potter, mas entrava o Tim Maia”, lembra Carmelo. A dificuldade? “Eu queria falar do homem por trás do mito. É muito fácil rotular meu pai como um doidão. Ele não era um doidão, era um cara altamente inteligente”, comenta. “Não passo a mão na cabeça. Ele foi um gênio indomável, um homem sem filtro. Por isso, não dá pra fazer Tim Maia mais ou menos. Ou você faz, ou não faz.”

Sobre os dias que atecederam sua partida para o infinito:                                                                          Uma das passagens familiares retratadas no musical foi quando Carmelo encontrou o pai pela última vez, no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói (RJ), para onde o cantor foi encaminhado depois de passar mal durante o show. Era quarta-feira, por volta da meia-noite, e Tim Maia estava internado há dias. Tinha parado de ser sedado pelos médicos, tirado do respirador e desamarrado da cama para que pudesse tocar no filho.

Fiquei lá por uns quarenta minutos, querendo sair, porque estava muito emocionado e sou hipertenso, mas os médicos me convenceram a ficar dizendo que aquele era o único momento bom da semana dele”, relembra. E, mesmo com seus muitos acertos – e à beira da morte –, Tim Maia ainda era Tim Maia: “Eu nunca falei isso antes numa coletiva, mas a única coisa que eu entendi de tudo o que ele falou foi quando me mandou tomar no cu.”

Faleceu três dias depois, vítima de uma infecção generalizada. Hoje, dia 1º de Abril, pela manhã, na  Sala de Imprensa do Festival de Curitiba, teve pessoas que choraram, mas fechamos a entrevista cantando todos juntos, atores, cantores, jornalistas, reporteres de imagem e Vale Tudo e não é Mentira, pois Tim dizia que não bebia, não fumava mas de que de quando mentia um pouquinho. 

É Primavera! Em nossos corações e seu legado ficou.  

Informações sobre a A Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, Renault e Geely, com patrocínio de EBANX, Itaipu Binacional, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba


Fotografia: Alice Varajão®
Curitiba, Outono de 2026
Legenda: Alice Varajão, jornalista com Tiago Herz, ator que interpreta Roberto Carlos e Nelson Motta.

segunda-feira, 30 de março de 2026

INGMAR BERGMAN, CHANTAL AKERMAN, JEAN LUC-GODARD E MAIS! NA FILMICCA EM ABRIL

 


quarta-feira, 25 de março de 2026

FESTIVAL DE CURITIBA VISTO POR DENTRO EM UMA EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA

Exposição na PUC-PR celebra a “arte do encontro” no Festival de Curitiba

Mostra, abre na quinta-feira, 26, tem cerca de 80 fotos, produzidas nas últimas quatro edições do evento

O Centro Cultural da PUC-PR recebe a partir da próxima quinta-feira, dia 26 de Março, às 18h30, a exposição “Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba”, uma seleção de mais de 80 fotos feita a partir do que foi produzido nas últimas quatro edições do evento. A entrada é gratuita.

A fotógrafa Annelize Tozetto, integrava a equipe coordenada por Daniel Sorrentino, até o ano retrasado, há 16 anos cobre o maior evento de artes cênicas da América Latina, e que desde o ano passado coordena a equipe de fotógrafos do Festival. A mostra na PUC-PR fica aberta até o dia 26 de maio, com o patrocínio da Chamex.

O recorte temporal da exposição coincide com a volta do Festival aos seus moldes tradicionais, em 2022, depois de uma pausa de dois anos por conta da pandemia de Covid-19. “Naquela época, quando o Festival foi cancelado, a gente não tinha a dimensão do quanto a vida no planeta ia ficar estacionada e de quantas pessoas morreriam”, relembra Annelize.

Então, essa exposição é pra marcar nosso reencontro. É uma celebração da vida, e de como a arte está sempre presente nela. Até porque o teatro, a cultura em si, também se renovou de alguma maneira naquele período.”

Foi esse o conceito que norteou os critérios da curadoria. “A gente queria enfatizar muito essa coisa do encontro. O encontro nos bastidores, nos camarins, o encontro do público com a peça, o encontro do fotógrafo com o espetáculo”, explica. “E mostrar que a gente não faz teatro sozinho. O Festival não se faz sozinho. A fotografia no teatro também tem muita gente envolvida. O resultado da sua foto envolve o trabalho de outras pessoas: do artista, do iluminador, do cenógrafo, do figurinista, do maquiador.”

O arquivo a ser triado era imenso. Só no ano passado, a equipe de fotógrafos do Festival de Curitiba, formada por dez profissionais, produziu mais de 16 mil instantâneos. “O Festival foi escolhido porque, além de ter um acervo incrível, por si só é um grande encontro de muita gente boa de tantos outros lugares”, diz Douglas Moreira, gerente da PUC-PR Cultura. 

O processo de seleção ainda tomou cuidado para não incluir nenhuma imagem que pudesse interferir na classificação indicativa da exposição. “Fucei ano por ano, mais de uma vez”, brinca Anne, como é carinhosamente chamada. “É uma exposição aberta, para todos os públicos. É o resultado de um trabalho coletivo. Ela lembra que na vida a gente não faz absolutamente nada sozinho.”

A exibição inclui uma das fotos prediletas de Annelize em seus 16 anos, tirada durante uma das sessões de “Ana Lívia” – espetáculo escrito pelo curitibano Caetano Galindo – em 2024, no Teatro da Reitoria.

Nela, as atrizes Bete Coelho e Georgette Fadel aparecem abraçadas, de pé sobre uma grande mesa, no exato momento em que são atingidas por um grande bloco de água que despenca do teto. O líquido brilha por conta da iluminação, contrastando com o breu do restante do cenário. “Eu estava fotografando, e a luz de cena mudou de repente”, conta Anne. “Uma das perguntas que mais me fazem é se a gente assiste às peças antes pra saber o que vai estar fotografando. Nem sempre, ou quase nunca. Essa foto mesmo aconteceu quase no susto. Depois eu nem editei.”


SERVIÇO: Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba

Centro Cultural da PUC-PR

Rua Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho

Quinta-feira, 26 de março, às 18h30

Entrada gratuita.




SELECIONADO PARA O É TUDO VERDADE, "CARCEREIRAS" RETRATA A VIDA E OS DILEMAS DE MULHERES...