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Atividades e agenda cultural do que acontece na cidade, no Paraná e até onde mais meu olhar posso enxergar e vislumbrar no tempo e na poesia da fotografia.
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"Manas" ganha sessões especiais em mais de 30 cidades na Europa, África, Ásia, América do Sul e América do Norte no mês do Dia Internacional da Mulher (8/3) |
Premiado longa-metragem de Marianna Brennand será apresentado em embaixadas e consulados no exterior, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa, braço cultural do Itamaraty, ampliando a mobilização pelo fim da violência e da exploração sexual contra meninas e mulheres
No contexto do Dia Internacional da Mulher (8 de março), "Manas", primeiro longa-metragem de ficção de Marianna Brennand, será exibido em representações diplomáticas do Brasil em diferentes países ao longo do mês de março. Ao todo, mais de 30 embaixadas, consulados, cinematecas, universidades e espaços culturais ao redor do mundo receberão o filme, em uma iniciativa realizada em parceria com o Instituto Guimarães Rosa — órgão do Ministério das Relações Exteriores responsável pela promoção da cultura brasileira no exterior. As exibições reforçam o alcance internacional da obra e se somam às iniciativas de enfrentamento à violência e à exploração sexual contra meninas e mulheres, tema central da narrativa.
As sessões estão programadas para cidades na América do Sul — Argentina (Buenos Aires e Córdoba), Bolívia (El Alto e Santa Cruz de la Sierra), Equador (Quito), Guiana (Georgetown), Paraguai (Assunção e Encarnación) e Uruguai (Artigas e Montevidéu); nas Américas do Norte e Central — Estados Unidos (Washington, DC) e Nicarágua (Manágua); na Europa — Bélgica (Bruxelas), Croácia (Karlovac e Zagreb), Espanha (Madri), França (Marselha), Grécia (Atenas), Irlanda (Dublin), Itália (Roma), Portugal (Lisboa) e Suíça (Genebra); na África — África do Sul (Pretória), Angola (Luanda), Benin (Cotonou), Cabo Verde (Praia), Guiné Equatorial (Malabo), Moçambique (Maputo), São Tomé e Príncipe (São Tomé) e Tanzânia (Dar es Salaam); e na Ásia — Japão (Tóquio).
Desde a estreia mundial no Festival de Veneza, onde recebeu o Directors Award da Giornate degli Autori, o filme construiu uma carreira sólida no exterior, somando mais de 40 prêmios em importantes eventos pelo mundo.
Ao longo dessa trajetória, Marianna também foi reconhecida com o Women In Motion Emerging Talent Award 2025, concedido pela Kering em parceria com o Festival de Cannes, honraria voltada a novos nomes de destaque no cenário internacional. Na temporada 2024–2025, “Manas” foi o único título premiado tanto em Veneza quanto em Cannes, consolidando uma presença singular no circuito global. O percurso internacional do longa inclui ainda a indicação ao Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano, uma das principais distinções do cinema espanhol.
O longa-metragem é uma produção da Inquietude, em coprodução com Globo Filmes, Canal Brasil, Pródigo e Fado Filmes (Portugal); com produção executiva de Sean Penn, Jean-Pierre e Luc Dardenne, Walter Salles e Maria Carlota Bruno, Carolina Benevides e Marcelo Maximo; e produção associada da Les Films du Fleuve, VideoFilmes, Delphine Tomson, Dominique Welinsky, Marcelo Pedrazzi, Braulio Mantovani, Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marcelo Maximo e Maria Cecília Brennand. Com patrocínio do Instituto Cultural Vale e da Atiaia Energia, via Lei do Audiovisual, o filme foi premiado com o Emerging Filmmaker Award (Sam Spiegel International Film Lab) e teve o apoio do Programa Ibermedia. No Brasil, tem distribuição da Paris Filmes.
Para além dos resultados em premiações, “Manas” tem sido amplamente elogiado pela potência de sua narrativa. O filme propõe um olhar sensível sobre a realidade de meninas e mulheres submetidas a contextos de violência e vulnerabilidade, abordando abuso e exploração sexual sob uma perspectiva que articula denúncia, escuta e dimensão humana.
SOBRE O FILME Rodado na Amazônia, o longa traz a estreante Jamilli Correa, no papel principal, Dira Paes, Fátima Macedo e Rômulo Braga, além de atores e atrizes locais da região. O roteiro vencedor do Sam Spiegel International Film Lab é assinado por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Antonia Pellegrino, Camila Agustini e Carolina Benevides. Também integram a equipe o diretor de fotografia Pierre de Kerchove (“Paloma”, “Pico da Neblina”), o diretor de arte Marcos Pedroso (“Bicho de Sete Cabeças”, “Motel Destino”), a montadora Isabela Monteiro de Castro (“O Céu de Suely”, “Cidade Baixa”) e a figurinista Kika Lopes (“O Palhaço”, “Simonal”). “Manas” narra a história de Marcielle/Tielle (Jamilli Correa), uma jovem de 13 anos que vive na Ilha do Marajó (PA) junto ao pai, Marcílio (Rômulo Braga), à mãe, Danielle (Fátima Macedo), e a três irmãos. Ela cultua a imagem de Claudinha, sua irmã mais velha, que teria partido para bem longe após “arrumar um homem bom” nas balsas que passam pela região. Conforme amadurece, Tielle vê ruírem muitas das suas idealizações e se percebe presa entre dois ambientes abusivos. Preocupada com a irmã mais nova e ciente de que o futuro não lhe reserva muitas opções, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres à sua volta.
A fagulha inicial para a realização do filme ocorreu quando Marianna tomou conhecimento de casos de exploração sexual de crianças nas balsas do Rio Tajapuru, na Ilha do Marajó (PA). Em 2014, ela ganhou um edital de desenvolvimento de roteiro promovido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e deu início às pesquisas para o trabalho, que incluíram diversas viagens para a região. Primeiramente, havia a intenção de realizar um documentário, campo no qual a cineasta atuava, mas logo essa ideia foi abandonada.
"No início da pesquisa, me deparei com uma questão ética muito séria. Era inaceitável para mim como documentarista colocar à frente da câmera crianças, adolescentes e mulheres para recontarem situações de abuso pelas quais haviam passado. Seria cometer mais uma violência contra elas. É um tema muito duro e complexo. O desafio era retratar não só uma dor física e emocional, mas também existencial, e isso foi algo que a ficção me permitiu trabalhar. Busquei estabelecer uma espécie de mergulho sensorial que conectasse o espectador à experiência emocional da Marcielle. Eu optei por fincar o filme - em todos os seus aspectos - em um naturalismo que se liga ao documental, abrindo mão de qualquer artifício que pudesse desviar da vivência dela e de seu emocional”, explica a cineasta.
Para a composição do elenco, que teve direção de Anna Luiza Paes de Almeida e preparação de René Guerra, formou-se um núcleo adulto composto por atores profissionais de diversas partes do Brasil (Fátima Macedo (CE), Rômulo Braga (MG/DF) e Dira Paes (PA), além de Ingrid Trigueiro (PB), Clébia Souza (PE), Nena Inoue (PR) e Rodrigo Garcia (PE)) e um núcleo infantil escolhido a partir de testes com centenas de crianças moradoras da Região Metropolitana e de ilhas próximas a Belém.
Uma das mais talentosas e premiadas atrizes do cinema nacional, Dira Paes interpreta a policial Aretha. O papel foi construído baseado em pessoas reais como o delegado Rodrigo Amorim, conhecido por combater a exploração sexual infantil nas balsas da região, e em Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, uma referência no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes na região Amazônica. “A personagem da Aretha foi escrita especialmente para a Dira, que foi uma grande parceira desde o início. A Dira sempre foi um farol para mim, uma mulher que me inspira pelo seu ativismo, uma das grandes atrizes brasileiras e uma mulher paraense que conhece muito bem a realidade que abordamos no filme”, comenta a diretora.
Selecionada para viver a protagonista Marcielle, Jamilli Correa não tinha qualquer experiência prévia com atuação e surpreendeu pela técnica que demonstrou ao longo de todo o processo. “Eu sempre brinco que ela foi atriz em vidas passadas. A gente só destravou algo que já estava dentro dela. A Jamilli é uma força da natureza. Ela tem um silêncio preenchido que imprime na tela muitas nuances e uma inteligência cênica impressionante, qualidades raras”, resume Marianna Brennand. O brasiliense Rômulo Braga e a cearense Fátima Macedo, respectivamente nos papéis do pai e da mãe da personagem principal, completam o elenco principal do filme.
Sinopse
Marcielle, uma jovem de 13 anos que vive na Ilha do Marajó (PA), começa a entender que o futuro não lhe reserva muitas opções. Encurralada pela resignação da mãe e movida pela idealização da figura da irmã que partiu, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres à sua volta.
SOBRE O INSTITUTO GUIMARÃES ROSA O Instituto Guimarães Rosa (IGR) é a unidade do Ministério das Relações Exteriores (MRE) responsável pela diplomacia cultural brasileira. Criado em março de 2022 através do Decreto nº 11.024, o IGR substitui o antigo Departamento Cultural e Educacional (DCED) e tem como objetivo elaborar diretrizes para a promoção da língua portuguesa, apoiar ações de difusão cultural e de internacionalização das indústrias culturais brasileiras no exterior, promover a cooperação educacional internacional e fomentar a cultura brasileira.
O IGR, subordinado à Secretaria de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura (SECIC) do MRE, é resultado do amadurecimento institucional e da experiência acumulada pelo antigo Departamento Cultural durante mais de 60 anos. O IGR é chefiado por um(a) diretor(a) e possui quatro divisões: a Divisão de Cooperação Educacional (DCE), a Divisão de Língua Portuguesa (DLP), a Divisão de Ações de Promoção da Cultura Brasileira (DCULT) e a Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais (DAMC).
O nome do instituto, ao homenagear o escritor e diplomata João Guimarães Rosa, reforça a importância da arte, da cultura e da língua como instrumentos de política externa. A criação do IGR também visou a conferir maior unidade às iniciativas culturais e educacionais do MRE ao redor do mundo, a padronizar a comunicação externa, além de permitir uma perspectiva global sobre as estratégias e ações desenvolvidas, favorecendo o estabelecimento de parcerias estratégicas de longo prazo.
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