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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

CAIXA CULTURAL RIO DE JANEIRO RECEBE GRANDE RESTROSPECTIVA GRATUITA DA OBRA DE RUY GUERRA

 


CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe grande retrospectiva gratuita da obra de Ruy Guerra


‘Retrospectiva Ruy Guerra – Uma vida de cinema’ atravessa quase sete décadas da trajetória do cineasta, com 17 longas-metragens, dois documentários, obra rara restaurada em 4K e Masterclass com o diretor, de 29 de setembro a 16 de outubro

Poucos cineastas atravessaram tantas décadas da história brasileira com uma obra tão ligada às transformações políticas, sociais e culturais do país quanto Ruy Guerra. Aos 95 anos, o diretor, roteirista, dramaturgo, poeta e compositor ganha uma ampla retrospectiva na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, que reúne 17 longas-metragens dirigidos por ele e dois documentários sobre sua vida e obra. A mostra Retrospectiva Ruy Guerra – Uma vida de cinema será realizada entre os dias 29 de setembro e 16 de outubro, com entrada gratuita. Não haverá sessões às segundas-feiras nem no dia 9 de outubro.


A programação permite percorrer quase sete décadas de cinema, desde Os Cafajestes (1962), primeiro longa-metragem de Ruy, até A Fúria (2024), seu trabalho mais recente. O filme encerra a chamada Trilogia dos Fuzis, iniciada com Os Fuzis (1964) e continuada por A Queda (1978), três obras realizadas ao longo de seis décadas e ligadas pela presença de um mesmo personagem.


Entre as raridades da retrospectiva está Ternos Caçadores (1969), produção francesa que permaneceu durante décadas praticamente inacessível ao público brasileiro. O filme volta às telas em uma versão restaurada em 4K, resultado de um trabalho de recuperação que devolve à circulação uma das obras menos vistas da filmografia do cineasta. A programação inclui ainda os documentários O Homem que Matou John Wayne (2015), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, e Tempo Ruy (2021), de Adilson Mendes.


Nascido em Moçambique, durante o período colonial português, Ruy Guerra estudou cinema em Paris no período de surgimento da Nouvelle Vague e chegou ao Brasil em 1958. Poucos anos depois, tornou-se um dos nomes centrais do Cinema Novo, ao lado de realizadores como Glauber Rocha (1939-1981) e Cacá Diegues (1940-2025). A sua filmografia é marcada pela experimentação estética, pelo olhar político e por um diálogo permanente com outras linguagens artísticas.


A programação terá ainda uma Masterclass com o próprio Ruy Guerra, dedicada à construção artística e política da Trilogia dos Fuzis, formada por Os Fuzis, A Queda e A Fúria. Será no sábado, dia 3 de outubro, às 18h, com retirada de senha meia hora antes, na bilheteria da CAIXA.


Entre o cinema e a palavra

A literatura ocupa um lugar central nessa trajetória. Guerra adaptou para o cinema obras de escritores como Gabriel García Márquez (1927-2014), Chico Buarque, 82 anos, e Antonio Callado (1917-1997), além de ter escrito peças, poemas e letras de músicas interpretadas por grandes nomes da MPB.


A relação com a palavra também atravessa o catálogo digital preparado especialmente para a retrospectiva, que traz uma extensa entrevista inédita concedida pelo cineasta ao curador e organizador da mostra, Aristeu Araújo.


“Sempre tive uma paixão muito grande pela palavra. Queria ser escritor antes de ser cineasta. O cinema acabou sendo o caminho possível para contar histórias, mas continuo lendo o dicionário todos os dias como quem lê um romance. A palavra continua sendo o centro de tudo o que faço”, afirmou Ruy Guerra, na conversa com o curador.


A realização da mostra envolveu também um trabalho de pesquisa e localização de cópias. Parte da filmografia do diretor sobrevive em materiais deteriorados ou de difícil acesso, e a organização buscou diferentes acervos para selecionar as melhores versões disponíveis para exibição.


“Grande parte da história do cinema brasileiro enfrenta sérios desafios de preservação. Reunir esta retrospectiva significou localizar materiais espalhados em diferentes acervos, avaliar inúmeras versões e buscar sempre a melhor cópia disponível para cada filme. Tivemos um trabalho cuidadoso de garimpo para oferecer ao público exibições com a melhor qualidade possível”, explicou Aristeu.


Aristeu Araújo é cineasta, com passagens pelo teatro e pela literatura. Graduado em Cinema pela UFF e em Jornalismo pela UFRN, realizou a curadoria de dezenas de mostras cinematográficas, dirigiu 12 curtas-metragens e trabalhou como montador em cerca de 40 produções, entre longas e curtas. Atualmente finaliza seu primeiro longa-metragem como diretor, A Ponte.


A retrospectiva chega ao Rio de Janeiro depois de passar por Curitiba e oferece a oportunidade de observar em sequência uma filmografia que foi sendo desenhada em diferentes momentos da história do país. Violência, desigualdade, poder, liberdade e justiça social reaparecem sob formas distintas ao longo da produção de Guerra, que continua desenvolvendo novos projetos perto do seu centenário.


Aliás, o próprio cineasta trata o futuro com humor: “Decidi que vou viver até os 117 anos. Até os 100 ainda quero fazer cinema. Depois disso pretendo voltar ao meu primeiro amor, que sempre foi a literatura.”


FILMES DO RUY NA MOSTRA


A Bela Palomera

(1988) | 78 min | cor | Brasil / Espanha | 16 anos

Século XIX. Orestes e Fúlvia se apaixonam. Como ela é casada, os amantes usam pombos para se comunicar.

Sessões: 4/10, às 14h20 | 14/10, às 18h20


A Fúria

(2024) | 101 min | cor | Brasil | 16 anos

Mário sai das profundezas da terra em busca de vingança. O filme encerra a Trilogia dos Fuzis.

Sessões: 3/10, às 15h50 | 10/10, às 17h50


A Queda

(1978) | 120 min | cor | Brasil | 14 anos

Um operário morre em um canteiro de obras. Mário, seu colega, se revolta com o descaso da construtora.

Sessões: 2/10, às 17h30 | 10/10, às 15h20

Aos Pedaços

(2020) | 93 min | P&B | Brasil | 16 anos

Eurico mantém relacionamento com duas mulheres. Ele recebe um bilhete anunciando sua morte.

Sessões: 7/10, às 18h | 15/10, às 16h10


Erêndira

(1983) | 103 min | cor | México / França / Alemanha | 18 anos

Erêndira, que tem visões, é prostituída pela avó depois que sua casa pega fogo.

Sessões: 30/9, às 17h50 | 13/10, às 17h50


Estorvo

(2000) | 95 min | cor | Brasil / Cuba / Portugal | 18 anos

Um homem foge em um delírio urbano por medo de um perseguidor desconhecido.

Sessões: 4/10, às 16h | 13/10, às 15h50


Kuarup

(1989) | 119 min | cor | Brasil | 18 anos

Um jovem padre se prepara para ser missionário entre indígenas do Xingu, mas está em crise.

Sessão: 6/10, às 15h10


Monsanto

(2000) | 86 min | cor | Portugal | 18 anos

Um ex-combatente comemora o aniversário da Revolução dos Cravos. Mas o passado não está mais adormecido.

Sessão: 14/10, às 16h30


Mueda, Memória e Massacre

(1979) | 80 min | P&B | Moçambique | 16 anos

Em 1960, Portugal executou 600 pessoas em Moçambique. O filme revive esse massacre.

Sessões: 1/10, às 16h20 | 15/10, às 18h10


Ópera do Malandro

(1985) | 105 min | cor | Brasil / França | 14 anos

Anos 1940. Um malandro explora uma cantora de cabaré e vive de pequenos trambiques. Até que surge Ludmila.

Sessões: 2/10, às 15h20 | 8/10, às 17h50


Os Cafajestes

(1962) | 100 min | P&B | Brasil | 14 anos

Dois homens planejam um golpe chantageando uma jovem rica com fotos dela nua.

Sessões: 29/9, às 15h30 | 16/10, às 17h50


Os Deuses e os Mortos

(1970) | 97 min | cor | Brasil | 18 anos

Anos 1930. Um homem que levou sete tiros e sobreviveu se envolve na luta por terras e contra um coronel.

Sessões: 30/9, às 15h50 | 11/10, às 13h40


Os Fuzis

(1964) | 80 min | P&B | Brasil | 12 anos

Policiais contêm sertanejos famintos, mas se chocam com um governo que não ajuda os miseráveis.

Sessões: 1/10, às 18h10 | 10/10, às 13h30


O Veneno da Madrugada

(2004) | 118 min | cor | Brasil / Argentina / Portugal | 14 anos

Bilhetes anônimos denunciam segredos por toda a cidade. A violência explode.

Sessões: 6/10, às 17h40 | 16/10, às 15h30


Portugal S.A.

(2004) | 90 min | cor | Portugal | 14 anos

Jacinto é gestor de um grupo econômico. Sente-se usado por todos e joga com as mesmas regras dos outros.

Sessão: 7/10, às 16h


Quase Memória

(2016) | 94 min | cor | Brasil | 12 anos

Carlos é um homem com memórias inquietas, que se encontra consigo mesmo em uma distorção temporal.

Sessões: 3/10, às 13h50 | 8/10, às 15h50


Ternos Caçadores

(1969) | 115 min | cor | França | 14 anos

Um homem em uma ilha estuda voos migratórios de aves. Até que surge um prisioneiro fugitivo.

Sessões: 29/9, às 17h40 | 11/10, às 15h40


DOCUMENTÁRIOS SOBRE O CINEASTA

O Homem que Matou John Wayne

(2015) | 70 min | cor | Brasil | 12 anos

Ruy Guerra tem um encontro inesperado com John Wayne. Uma viagem poética pelas ideias do cineasta.

Sessão: 7/10, às 14h20


Tempo Ruy

(2021) | 72 min | cor | Brasil | 16 anos

Documentário sobre o trabalho do cineasta, escritor, ator e dramaturgo Ruy Guerra.

Sessão: 2/10, às 13h40


SERVIÇO

Retrospectiva Ruy Guerra – Uma vida de cinema

Quando: 29 de setembro a 16 de outubro de 2026

Não haverá sessões: segundas-feiras e 9 de outubro

Onde: CAIXA Cultural Rio de Janeiro — Rua do Passeio, 38, no Centro do Rio

Ingressos: Gratuitos, a serem retirados meia hora antes de cada sessão na bilheteria da CAIXA

Classificação: A partir dos 18 anos

Este projeto foi viabilizado com patrocínio da CAIXA.