Cinema Silencioso & Jackson do Pandeiro
Na
noite de abertura da Mostra Aruanda SP, marcada para as 20h30, serão
exibidos fragmentos de fotogramas salvos da extinção do filme ‘Carnaval Paraibano e Pernambucano’,
dirigido pelo paraibano Walfredo Rodriguez, em 1923, no contexto do
cinema silencioso brasileiro da época. O material foi localizado na
Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a partir de pesquisa de doutorado
(ECA-USP) do jornalista e professor Lúcio Vilar (curador da Mostra
Aruanda). Serão conhecidas as imagens que foram telecinadas de 35mm para
digital e que chamam a atenção pela riqueza do documento histórico.
Na
ocasião também serão exibidos o curta-metragem “Era Uma Noite de São
João”, uma delicada animação da diretora estreante Bruna Velden, e o
longa-metragem ‘Jackson – Na Batida do Pandeiro’, que
tem direção de Marcus Vilar e Cacá Teixeira, sobre o icônico personagem
paraibano que influenciou várias gerações de músicos e compositores da
MPB. Para o diretor do filme, a oportunidade oferecida pelo Sesc é de
fundamental importância:
“Essa
exibição dos filmes produzidos na Paraíba, em São Paulo, no CineSesc,
vem na hora certa, haja vista que temos poucas janelas de exibição e
temos que mostrar essa produção que pulsa e cresce a cada dia, e vem
dando continuidade à tradição do cinema paraibano, que é reconhecida
nacionalmente e internacionalmente, tendo como nosso marco maior o filme
‘Aruanda’, de Linduarte Noronha", pontuou Marcus Vilar.
Sobre sua participação, disse se sentir “muito
honrado” com o filme na sessão de abertura, uma obra que tem direção
compartilhada com Cacá Teixeira (e produção de Heleno Bernardo):
“Especialmente por saber que Jackson teve uma relação com São Paulo
muito estreita, além de ser uma exibição inédita na cidade”, destacou Vilar.
Para Bruna Velden, diretora da animação a ser exibida na primeira noite, a mostra faz “pelo
nosso cinema algo quase inédito: levar pro Sudeste o que é produzido no
Nordeste, na contramão do que acontece mais comumente. É um intercâmbio
cultural valioso, onde todos os realizadores (sejam da Paraíba ou de
São Paulo) vão sair muito enriquecidos! Só tenho a agradecer por essa
oportunidade”, disse ela.
Ao
longo de sua programação, a Mostra Aruanda SP exibirá durante o período
de 20 a 26 de junho uma sessão por dia, composta por um curta e um
longa-metragem paraibanos. Destaca-se o documentário híbrido “O Seu Amor
de Volta (Mesmo que Ele Não Queira”), do diretor Bertrand Lira, e que
tem Marcélia Cartaxo no elenco. Ele é cirúrgico ao reconhecer a
relevância da iniciativa, sem precedentes, de uma mostra paraibana em
São Paulo:
"Trata-se
de janela necessária para o cinema paraibano frente ao gigantesco
iceberg das salas comerciais que dificultam esse acesso”, disse em tom
enfático o cineasta que também é professor universitário da UFPB e
pesquisador do campo audiovisual.
Na mesma linha, se coloca a diretora Kalyne Almeida ao reiterar que a mostra será “uma
janela mais que importante e urgente porque se faz necessário ocuparmos
os espaços de exibições de filmes, sobretudo, porque temos os cinemas
brasileiros, produzidos por pessoas plurais, corpos plurais, lugares
diferentes. E isso precisa estar nas telas de todo o país”, afirma.
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