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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

MASP EXIBE TRILOGIA DE FILMES DE JANAINA WAGNER SOBRE A TRANSAMAZÔNICA

    MASP EXIBE TRILOGIA DE FILMES DE JANAINA WAGNER SOBRE A TRANSAMAZÔNICA  

Mostra inaugura ano de Histórias da Ecologia com vídeos sobre impacto da BR-230 no meio ambiente e no cotidiano das populações locais. Programação da Sala de Vídeo em 2025 também traz Emilija Škarnulytė, Maya Watanabe,

Inuk Silis Høegh,Tania Ximena e Vídeo nas Aldeias
 

Janaina Wagner, 2024, Quebrante (frame do vídeo). 

 

7 de fevereiro a 30 de março de 2025

 

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 7 de fevereiro a 30 de março, a Sala de Vídeo: Janaina Wagner. A mostra marca a estreia do documentário experimental Quando o segundo sol chegar / um cometa nos teus olhos (2025), de Janaina Wagner (São Paulo, SP, 1989), que tem como elemento central a BR-230, conhecida como Rodovia Transamazônica.

 

Projetada para conectar a Amazônia à costa brasileira, a construção da Transamazônica, ocorrida durante o período militar, foi marcada por uma perspectiva extrativista e por tensões com as comunidades da região. A exposição destaca como a rodovia transformou a paisagem e deixou marcas profundas no meio ambiente e no cotidiano das populações locais, afetando tanto a cultura quanto a história do Brasil.

 

Com curadoria de Leandro Muniz, curador assistente, MASP, a sala de vídeo exibe uma trilogia de vídeos gravados no território amazônico: Curupira e a máquina do destino (2021), Quebrante (2024) e Quando o segundo sol chegar / um cometa nos teus olhos (2025). Na trilogia, a rodovia inacabada dialoga com figuras do folclore brasileiro, criando metáforas críticas sobre a realidade do país. “A obra de Janaína Wagner se apropria de figuras mitológicas ou folclóricas para abordar conflitos reais, como é o caso da Curupira. A personagem carrega simbolismos marcantes, especialmente o detalhe dos pés para trás que andam para a frente, o que, no trabalho de Wagner, sugere as contradições do desenvolvimento predatório”, comenta Muniz.

 

Os documentários experimentais de Wagner criam ficções para refletir sobre a realidade, entrelaçando história da arte, cinema e literatura. O documentário Iracema – uma transa amazônica (1974), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, foi uma referência central para a artista, que propôs uma continuação do longa-metragem ao contar novas histórias sobre o que acontece nas margens da rodovia BR-230. Como em Curupira e a máquina do destino (2021), filmado no distrito de Realidade (AM), que narra o encontro entre uma curupira e o fantasma encarnado de Iracema, personagem fictícia do filme de 1974.

 

Em Rurópolis (PA), primeira cidade fundada na BR-230 para servir de base aos trabalhadores que a construíram, transcorre Quebrante (2024). O vídeo acompanha Dona Erismar, a professora aposentada que descobriu as cavernas da região e ficou conhecida como “A Mulher das Cavernas”.

 

Encerrando a trilogia de pesquisa de Janaina sobre a Rodovia Transamazônica, Quando o segundo sol chegar / um cometa nos teus olhos (2025) anuncia a aproximação de um Segundo Sol e a catástrofe causada pela crise climática.

 

Sala de Vídeo: Janaina Wagner é a primeira exibição de 2025 no MASP, que, ao longo do ano, incluirá mostras audiovisuais de Emilija Škarnulytè, Maya Watanabe, Inuk Silis Høegh, Tania Ximena e Vídeo nas Aldeias. A Sala de Vídeo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da Ecologia.

 

Confira a programação da Sala de Vídeo para 2025:

Sala de vídeo: Janaina Wagner

7.2 — 30.3.25

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Leandro Muniz, curador assistente, MASP

A artista Janaina Wagner (São Paulo, SP, 1989) produz vídeos, fotografias, desenhos e instalações que misturam registros históricos e ficções, reflexões críticas e mitologias diversas a respeito de temas como crise climática, paisagem e como as interações humanas formam o espaço. A artista parte de trechos da história do cinema e da literatura para criar outras histórias, agregando complexidade às originais.

 

Sala de vídeo: Inuk Silis Høegh

11.4 — 1.6.25

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Teo Teotônio, assistente curatorial, MASP
Inuk Silis Høegh (Qaqortoq, Groenlândia, 1972) é um artista e cineasta cujo trabalho elabora questões sobre as mudanças climáticas e os processos coloniais na Groenlândia. Filho de artistas, cresceu imerso em exposições e se inseriu profissionalmente no meio artístico a partir da produção audiovisual e escultórica, principalmente com documentários e instalações de grandes dimensões. Høegh se interessa pela relação entre humanidade e natureza, focando nos processos políticos e culturais do seu país e em como eles afetam os povos originários inuítes e o meio ambiente.

 

The Green Land [A terra verde] (2021) apresenta registros das intervenções visuais realizadas pelo artista na paisagem de sua terra natal, que enfrenta grandes mudanças devido ao aumento da temperatura média global. Com um ritmo lento e meditativo, o vídeo tematiza os quatro elementos naturais, todos representados por diferentes materialidades da cor verde. Água, fogo, terra e ar aparecem em momentos distintos, ora invadindo as monumentais montanhas e geleiras, ora integrando-se ao cenário. A cor, que dá nome ao país em inglês, é usada no trabalho como uma potência de transformação, seja pela recuperação da fauna e da flora, seja por sua degradação.

 

Sala de vídeo: Vídeo nas Aldeias

13.6 — 10.8.25

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP
O Vídeo nas Aldeias é um projeto audiovisual criado em 1986 com o propósito de fortalecer o cinema indígena brasileiro. Idealizado por Vincent Carelli (Paris, França, 1953), o Vídeo nas Aldeias se dedicou, inicialmente, a registrar a cultura de diferentes povos indígenas brasileiros, apresentando as filmagens para as próprias comunidades. A partir de 1997, o projeto expandiu suas atividades para incluir oficinas audiovisuais realizadas junto a esses povos e passou a distribuir equipamentos de filmagem para que os participantes tivessem autonomia na representação de sua própria cultura. Desde então, a formação de cineastas indígenas e o suporte técnico para a produção de filmes se tornaram pilares fundamentais da atuação do projeto.

 

Os filmes produzidos formam um acervo plural que reflete a diversidade dos povos indígenas brasileiros. A sala de vídeo dedicada ao Vídeo nas Aldeias pretende destacar filmes produzidos pelo projeto em parceria com comunidades indígenas, os quais abordam formas distintas de lidar com a terra e com o meio ambiente, retratando aspectos de suas culturas e cosmologias, além da urgente luta pela demarcação territorial.

 

Sala de vídeo: Tania Ximena

22.8 — 28.9.25

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP

A primeira exposição individual de Tania Ximena (Hidalgo, México, 1985) no Brasil, apresentada na sala de vídeo, investiga as complexas relações entre humanidade, natureza e ciclos de transformação do planeta. A artista constrói narrativas que atravessam tempos geológicos e históricos, conectando formas de vida animadas e inanimadas, naturais e espirituais, manifestas em minerais, vegetais, animais, céu, terra e água. Por meio de imagens que combinam registros documentais, intervenções espaciais e fabulações poéticas, Ximena reflete sobre os impactos da ação humana no meio ambiente, apresentando a paisagem como protagonista de processos decisivos. Em sua obra, a paisagem não é apenas território ou recurso a ser explorado, mas um agente ativo que possibilita a existência humana.

 

Seu trabalho aborda desde rituais ancestrais que atraem chuva em regiões áridas e saberes tradicionais capazes de revelar cursos hídricos subterrâneos, até o derretimento de geleiras causado pelas mudanças climáticas. A artista navega por paisagens como vulcões, geleiras, rios e desertos, revelando a resiliência inerente à natureza e seus contínuos ciclos de transformação. Onde antes havia gelo, surge outro ecossistema. O que está em jogo não é a existência da Terra, mas a sobrevivência da humanidade nela. A obra de Ximena convida à reflexão sobre a interseção entre narrativas locais e formas não predatórias de existência.

 

Sala de vídeo: Emilija Škarnulytè

10.10 — 23.11.25

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Daniela Rodrigues, supervisora, MASP

Emilija Škarnulytė (Vilnius, Lituânia, 1987) é artista e cineasta, trabalha na interseção entre o documental e o imaginário, entre o factual e o fantasioso. Através de narrativas poéticas e imagens impactantes – capturadas, modeladas em 3D ou reinterpretadas, e apresentadas de maneira imersiva –, Škarnulytė reflete sobre dilemas urgentes de nosso tempo. A sala de vídeo recebe a primeira exposição da artista no Brasil e na América do Sul.
 

Seus filmes exploram diversas paisagens, como o encontro de rios, cidades, servidores de dados submersos, zonas com níveis baixíssimos de oxigênio e oceanos profundos. Seu olhar investigativo sobre as cicatrizes deixadas pela humanidade no planeta nos coloca em contato com tempos geológicos, de milhares de anos de formação da Terra, até futuros distópicos, nos quais a ficção científica toma lugar. Seres que habitam suas imagens, como a sereia que a própria artista performa em alguns filmes, nadam por águas pré-históricas ou pós-humanas, refletindo sobre a fragilidade ecológica ao longo do tempo e sobre as relações entre o natural e o humano.

 

Sala de vídeo: Maya Watanabe

5.12 — 25.1.26

2° subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Curadoria: Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP
A artista e pesquisadora Maya Watanabe (Lima, Peru, 1983) atua com performance, vídeo e instalações de vídeo multicanal que exploram os limites da representação, especialmente em contextos de violência política. Por meio de uma abordagem que investiga os possíveis espaços de interseção entre memória pessoal e memória histórica, a artista torna tangível a tensão e a violência que caracterizam os conflitos internos de seu país natal, o Peru, assim como de outras realidades ao redor do mundo. A artista evidencia como esses cenários impactam os modos de vida na contemporaneidade e produzem lacunas nas paisagens emocionais das pessoas atingidas.

 

SERVIÇO: SALA DE VÍDEO: JANAINA WAGNER

Curadoria: Leandro Muniz, curador assistente, MASP

2º subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

Visitação: 7.2.2025 a 30.3.2025
 

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 

Telefone: (11) 3149-5959

Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta a quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até às 17h); fechado às segundas.

Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

Ingressos: R$ 75 (entrada); R$ 37 (meia-entrada)

 

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

COLEÇÃO PIRELLI NO MASP

Coleção Pirelli/MASP de Fotografia – 18ª Edição
Acontece de 12 de Agosto, quinta-feira, a 3 de Outubro,domingo, no MASP
Vernissage: quarta-feira, 11 de agosto, às 19h30

A Edição 2010 contempla produção do Pará e Bahia e homenageia os fotógrafos Luiz Hossaka e George Leary Love

Em sua nova edição, mostra criada há 20 anos traz 70 imagens de 20 fotógrafos de diferentes regiões do país e destaca a produção de cinco artistas do Pará e quatro da Bahia, indicados pelos consultores convidados Luiz Braga e Aristides Alves. Com homenagem póstuma ao paulista Luiz Hossaka e ao norte-americano George Leary Love, exposição abre quinta-feira, 12/8, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar do MASP.

A Coleção Pirelli/MASP de Fotografia chega a sua 18ª edição com 70 obras de 20 fotógrafos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pará, além do norte-americano George Leary Love, que atuou em São Paulo dos anos 60 aos 90 e receberá homenagem póstuma ao lado de Luiz Hossaka, fotógrafo do MASP desde os anos 50 e membro da Comissão Organizadora da Coleção até sua morte, no ano passado. A nova edição prioriza o lado autoral de fotógrafos publicitários, fotojornalistas e um cineasta.

Desde sua criação, em 1990, a Coleção traz artistas com representação e influência significativas na fotografia brasileira, escolhidos por uma comissão formada por Boris Kossoy, Thomaz Farkas, Rubens Fernandes Junior, Mario Cohen e Piero Sierra. Nesta edição os fotógrafos Luiz Braga, do Pará, e Aristides Alves, da Bahia, foram convidados a indicar os artistas de seus estados: os paraenses Alberto Bitar, Octávio Cardoso, Mariano Klautau Filho, Alexandre Sequeira e Guy Veloso – este último, fotógrafo selecionado para a 29ª Bienal de São Paulo com a série documental Penitentes – e os baianos Anizio Carvalho, Iêda Marques, Bauer Sá e Maria Sampaio - fotógrafa e escritora falecida em junho passado.

A fotografia paulistana traz, nesta edição, o publicitário Ricardo Barcellos, a fotojornalista Marlene Bergamo e Gustavo Lacerda, com obras da série Albinos, de 2009. O uso de recursos tecnológicos na fotografia está contemplado pelo trabalho dos fotógrafos Rafael Jacinto, Pio Figueroa e João Kehl e da produtora Carol Lopes, do estúdio Cia da Foto.

Márcio Rodrigues e Marco Mendes, dupla de fotógrafos do Lumini, premiado estúdio fotográfico de Minas Gerais, apresentam trabalhos individuais. E o cineasta carioca Ivan Cardoso dá ao público a oportunidade de ver seu trabalho por trás de outras lentes que não as das câmeras super-8.

Em sua 18ª edição, a Coleção Pirelli/MASP presta homenagem a dois fotógrafos:
Luiz Sadaki Hossaka(1928-2009): Fotógrafo, museólogo e membro da comissão da Coleção Pirelli-MASP até seu falecimento. Trabalhou no MASP desde o início dos anos 50, onde aprendeu a fotografar. Grande parte da documentação histórico-fotográfica do museu foi feita por Hossaka durante os mais de 50 anos em que trabalhou na instituição.

George Leary Love
(1937-1995): Fotógrafo americano que se mudou para São Paulo em 1966. Colaborou com a difusão da fotografia de expressão pessoal no Brasil durante os anos 70 e 80. Desde 1992 a Coleção já possui três fotos do artista. Porém a oportunidade única de obtenção de um lote de 13 obras chamou a atenção da comissão pela possibilidade de lembrar este fotógrafo e constituir no MASP um conjunto que revela todo seu experimentalismo e liberdade.

Novo endereço da Coleção Pirelli/MASP na Web – Com mais de mil obras de mais de 300 artistas, a Coleção Pirelli/MASP de Fotografia poderá agora ser acessada em sua totalidade no novo endereço da Coleção, em http://www.colecaopirellimasp.art.br. No site é possível pesquisar todas as obras, biografias, temas, catálogos, edições anteriores, artigos e até mesmo visitar exposições virtuais específicas da coleção.

As duas décadas da Coleção Pirelli/MASP - “A primeira edição da Coleção Pirelli Masp aconteceu há 20 anos e, em 2010 temos orgulho de apresentar a 18ª edição, um marco importante de nossa longa parceria com uma das mais importantes instituições culturais do país, o MASP. A continuidade do projeto é um exemplo do comprometimento da Pirelli com o desenvolvimento cultural do Brasil”, diz Mario Batista, Diretor de Assuntos Corporativos da Pirelli. A chegada à 18ª edição confirma a validade do modelo de atuação: um conselho independente, formado por profissionais de renome da fotografia no Brasil, entre os quais Boris Kossoy, Thomaz Farkas, Rubens Fernandes e Mario Cohen, seleciona anualmente um conjunto de obras que são doadas ao MASP.

O objetivo principal da Coleção Pirelli/MASP de Fotografia é formar um panorama da fotografia contemporânea brasileira a partir dos anos 40-50, portanto, cada edição é pensada de forma a contemplar os trabalhos mais significativos nesse grande mosaico que é a linguagem fotográfica e a sua evolução nos mais diferentes campos. O acervo da Coleção conta com mais de mil obras de cerca de 300 fotógrafos representantes de todas as regiões do país.

O conjunto tem a virtude de reunir nomes consagrados, investir em talentos emergentes e também dar destaque a grandes fotógrafos dos quais se perdeu a memória, mas que foram importantes para a história da fotografia no Brasil. O resultado é uma coleção que contempla tanto o fotojornalismo, quanto foto de estúdio e a fotografia de expressão pessoal.

Serviço Educativo - Como nas mostras compostas por obras do acervo e nas exposições temporárias realizadas pelo MASP, a Coleção Pirelli/MASP terá um programa educativo elaborado especialmente para atender aos visitantes, professores e alunos de escolas das redes pública e privada. As visitas orientadas são realizadas por uma equipe de profissionais especializados. Informações: 3251 5644, ramal 2112.

Serviço: Coleção Pirelli/MASP de Fotografia – 18ª Edição
Em exposição: De 12 de agosto a 3 de outubro, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar. Vernissage: 11 de agosto, 19h30. Coordenação: Anna Carboncini. Apoio: Pirelli. Produção e Montagem: Equipe do MASP.

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Av. Paulista, 1578. Acesso a deficientes. Horários: De 3ªs a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às 5ªs: das 11h às 20h. A bilheteria fecha uma hora antes. Ingresso: R$ 15,00. Estudante: R$ 7,00. Crianças até 10 anos e adultos acima de 60 não pagam. 3ªs feiras: ingresso livre. Mais informações: www.masp.art.br. Twitter: http://twitter.com/maspmuseu

terça-feira, 27 de abril de 2010

MAX ERNST UMA SEMANA DE BONDADE NO MASP

No MASP acontece a exposição MAX ERNST - Uma semana de Bondade
Max Ernst - Uma Semana de Bondade , maior exposição do MASP em 2010, aberta ao público no dia 23 de abril.

Trata-se de uma exposição inédita na América com as obras completas das 184 colagens criadas pelo artista em 1933, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar do MASP

Guardadas por mais de 70 anos, obras completas do Gênesis de Max Ernst visitam D´Orsay, Albertina, Kunsthalle e Fundación Mapfre e chegam à América pelo MASP

Sensação na Europa em 2008 e 2009, Max Ernst – Uma semana de bondade inicia em 23 de abril no MASP sua itinerância pela América. Conservada por mais de 70 anos pelo colecionador francês Daniel Fillipacchi, coleção completa do Gênesis de Ernst traz 184 colagens, cinco delas não exibidas sob alegação de blasfêmia em exposição realizada em Madri, em 1936 - a primeira e única a atual turnê. Nas imagens, a crítica cáustica e surrealista às convenções sociais da Europa do período entre guerras.


Após uma sequência de cinco exposições de arte vindas da Espanha – entre elas as gravuras de Goya, em 2007; Desenhos Espanhóis do Século 20, em 2008; e Walker Evans, em 2009 – o MASP traz ao Brasil em parceria com a Fundación MAPFRE uma das exposições de maior repercussão na Europa nos dois últimos anos: Max Ernst – Uma semana de bondade, que fica de 23 de abril a 18de julho, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar do Museu.


A mostra - que iniciou em 2008 sua itinerância inédita após mais de 70 anos - passou pelos museus Albertina (Viena), Max Ernst (Brühl), Kunsthalle (Hamburgo), Fundación MAPFRE (Madri) e D'Orsay (Paris) e debuta na América pelo MASP, trazendo suas provocações e preciosidades: entre as 184 colagens originais e de extrema fragilidade estão cinco obras jamais expostas ao público. Sob alegação de blasfêmia, elas não participaram da única exposição realizada com as colagens, em 1936 em Madri, na Biblioteca Nacional, atual sede do Museu Nacional de Arte Moderna.



Terceiro romance-colagem de Ernst - que já havia produzido La femme 100 têtes (1929) e Rêve d’une petite fille qui voulut entrer au Carmel (1930) -, Uma semana de bondade foi criada em 1933, auge do movimento surrealista, durante uma viagem de três semanas à Itália, precisamente ao Castelo de Vigoleno, cidade medieval da Emilia-Romagna. Recortando uma série de imagens de livros, jornais, romances e revistas populares na Europa desde 1850, o artista transformou entretenimento em uma ação de alerta e revolta contra os valores da época.

No entanto, o processo de “colagem” da série já começou bem antes, pela escolha do nome: La semaine de la bonté foi uma associação de ajuda mútua fundada em 1927 para promover o bem-estar social em Paris. Neste período, a capital francesa foi inundada por cartazes da organização buscando apoio da sociedade. Ernst pegou “emprestado” o nome e fez de Uma semana de bondade uma alusão ao relato bíblico da criação da Terra.

a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEgAIP06_ahDKX9XdzdtgVIx8ArRupRRzp1XbY48fsQ2E1hliTP1HwrxHDY8Ykz2UO0R17c9JU0FISBsWSgS-_dz3g4VycezgjzRk0RhpAqeBCOMeqst94wshsDJFGeCQuvnG0HI74TPU/s1600/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+4.jpg"> A gênese surrealista
A coleção é divida pelos dias da semana e deu origem a cinco livros lançados em 1934 (os três últimos dias – Quinta-feira, Sexta e Sábado - reunidos em um único por não ter a coleção alcançado as expectativas comercias). Nas colagens Ernst afastou-se da concepção bíblica, criando seu próprio Gênesis: o Domingo surrealista é recheado de orgias, violência, blasfêmia e morte, primeiro contraponto significativo ao “dia de descanso”. Homens com cabeças de leão, símbolo do poder, é ironia recorrente nas 35 colagens intituladas O Leão de Belfort, na qual as obras são individualizas por sequência numérica, recurso utilizado em todos os dias da coleção, além de obedecerem a um elemento chave, neste caso, a “Lama”.

Composta por 27 trabalhos, Segunda-feira, cujo nome e elemento são denominados “Água”, narra quão insignificante é o poder das autoridades diante a força da natureza: águas invadem e arrasam toda a cidade de Paris, questionando os valores exercidos pela burguesia da época, em críticas ainda coerentes aos dias de hoje. A sequência se mantém na mesma esfera: homens com asas de dragões e serpentes presentes em situações da rotina da classe privilegiada compõem as 45 obras da irônica Terça-feira, representada pela série A corte do dragão dentro do elemento “Fogo”.
O caráter mítico de Édipo é abordado sob o elemento “Sangue” nas 29 colagens de Quarta-feira, batizada com o nome do mito grego. O episódio em que Édipo teve o pé ferido por seu próprio pai, seu reencontro fatídico no qual assassina seu progenitor e posteriormente o enigma proposto pela Esfinge, são simbolizados por homens com cabeças de pássaros nas mais diversas situações, num triste sarcasmo que escancara o eterno receio da tragédia por vezes imposto pelo destino, inerente às escolhas.

A Quinta-feira é subdividida em O riso do galo, que conta com 16 colagens, e A Ilha de Páscoa, formada por outras dez. Ambas sob o elemento “Escuridão” abordam as diferentes formas de poder: na primeira, o galo gaulês, símbolo do estado francês, é presente em todas as imagens, inclusive como parte do corpo dos protagonistas da cena. Em A Ilha de Páscoa, situações de intimidade são exibidas sempre com um de seus personagens usando máscaras. Nestas duas séries, Ernst preenche o espaço intermediário das colagens com tinta ou lápis, criando uma cena que evoca paisagem ampla.

Representada por Um poema visível, Dois poemas visíveis e Três poemas visíveis (compostos por seis, quatro e duas colagens, respectivamente), a Sexta-feira obedece ao elemento “Visão”. Aqui imagens emblemáticas abordam o interior, a estrutura do humano e do ambiente que o cerca: corvos, caveiras e uma série de símbolos são utilizados nas três divisões. Neste “dia” Ernst retoma o uso da colagem sintética, método utilizado por ele no início de sua carreira, no qual elementos heterogêneos são colocados sobre uma folha de papel branco.

O Sábado, último dia da semana, batizado A chave das canções, referencia ao elemento “Desconhecido”, onde toda a preocupação com a realidade é abolida. Mulheres em transe deixam suas camas e quartos para voar, cenas retratadas nas dez obras em que Max Ernst ilustra o fascínio surrealista com a histeria libertadora e inspiradora.

A narrativa da coleção se apoia unicamente na imagem, convertendo-se no ponto máximo do chamado romance-colagem e num dos maiores expoentes do surrealismo. A técnica empregada por Ernst nesta coleção cuidou para que os pontos de união, onde usou a colagem, fossem imperceptíveis com o objetivo de que a ilusão ótica criada pela colagem fosse completa, dando lugar a uma “nova” realidade.

Com este trabalho, Max Ernst rompeu as fronteiras entre gêneros e técnicas e transformou Uma semana de bondade em um dos temas principais do surrealismo - e ataca reservadamente àqueles que consideravam, naquela ocasião, este um movimento essencialmente literário.

Sobre o artista
Max Ernst (2 de abril de 1891, Brühl, Alemanha — 1 de abril de 1976, Paris, França) é provavelmente um dos poucos artistas que reinventou a si mesmo ao longo de toda sua vida. Ao lado de Picasso, fez parte de alguns dos grupos e movimentos de vanguarda mais importantes do século 20. Porém o que caracterizou em todo momento sua trajetória foi a capacidade de seguir adiante, sempre à frente destes movimentos, convertendo-se assim em referência e influência não só para seus contemporâneos mas também para os artistas atuais, entre eles artistas díspares como Cindy Sherman, Neo Rauch e Julie Nord.

A capacidade de Max Ernst criar um universo e um olhar próprio, diferente e singular, o transforma em um dos artistas de referência no século 20 e também em um dos mais complexos e mutáveis. Dadaísta, surrealista, poliglota e ávido leitor, Ernst desenvolveu um universo absolutamente particular e pessoal. Por conta de sua deslumbrante e afiada inteligência, além da sensibilidade e senso de humor ácido e irônico, é possível encontrar influências de Ernst em toda a história do século. Essa mistura de curiosidade e constância que encaixa o discurso do artista é a base sobre a qual foi construído o olhar de Ernst: uma busca incansável, onde, como diziam os sábios gregos, é muito mais importante o caminho que a chegada.


Max Ernst – Uma semana de bondade
Exposição com 184 colagens do artista alemão, cinco delas inéditas.
Realização e coordenação: MASP e Fundacíon MAPFRE
Em exposição: De 23 de abril a 18 de julho de 2010
Patrocínio: Fundación MAPFRE
Montagem: MASP
Horários: De terças a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às quintas das 11h às 20h.
Ingressos: R$ 15,00. Estudantes: R$ 7,00. Gratuito até 10 anos e acima de 60 anos.
Às terças-feiras a entrada é gratuita para todos.
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1578. Informações o público: Telefone (11)3251-5644.
Acesso a deficientes. Estacionamento ao lado, na Av. Paulista: R$ 10,00.
Novo site do MASP: www.masp.art.br. No Twitter: http://twitter.com/maspmuseu