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terça-feira, 4 de agosto de 2020

CINEASTA DOCUMENTA EM SÉRIE DEFICIÊNCIAS DA PRISÃO BRASILEIRA APÓS PERCORRER 19 CADEIAS


“Retratos do Cárcere” estreia no dia 6 de Agosto, às 20h30, no canal Prime Box Brazil

 Presídios, penitenciárias, carceragens de delegacias e celas de quartéis abrigam pouco mais de 748 mil presos provisórios ou condenados no Brasil (Infopen / 2019). São espaços que, em condições normais de convivência, comportam metade desse contingente. A série “Retratos do Cárcere” (teaser) percorreu 19 prisões entre 2017 e 2019 para documentar um sistema caótico, seletivo e ineficaz. A obra audiovisual estreia no dia 6 de Agosto, às 20h30, no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil.
 
A direção é da cineasta Tatiana Sager com roteiro de Renato Dornelles, gaúchos que assinam o longa-metragem “Central – O poder das facções no maior presídio do Brasil” (site), o terceiro documentário mais assistido no país em 2017, premiado internacionalmente. Em “Retratos do Cárcere”, a dupla lista 13 diferentes mazelas a partir do encarceramento em massa. Só nas duas últimas décadas, a população prisional brasileira triplicou (232.755 casos nos anos 2000), de acordo com o Departamento Penitenciário Nacional.
 
O superencarceramento em prisões precárias e fragilizadas tem sido combustível para o fortalecimento do crime organizado, tema do segundo e do terceiro episódios. A série resgata o surgimento e a expansão da Falange Vermelha (atual Comando Vermelho) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de grupos regionais. Todos são responsáveis por expressiva parcela dos crimes cometidos no Brasil, onde empregam mão de obra jovem para o tráfico de drogas e outros delitos. Essas organizações também estão presentes em países vizinhos.
 
Do quinto ao sétimo episódio, a narrativa acompanha o drama de quem, mesmo sem ter cometido crime, cumpre uma pena. São os familiares que enfrentam longas filas de espera para se submeter a revistas constrangedoras em dias de visitas. Para manter os laços conjugais, as mulheres praticam relações sexuais com os parceiros em ambientes precários, com pouca privacidade e condições de higiene. Os filhos enfrentam o distanciamento dos pais e sofrem com rótulos impostos pela sociedade aos familiares de presos.
 
LGBTQIA+, religiosos e trabalhadores são os grupos mais discriminados pela massa carcerária. Eles são segregados duplamente, uma vez que, além do aprisionamento, vivem em locais chamados de “seguros” dentro das prisões. O assunto é tema do oitavo, nono e décimo episódios. A homofobia sofrida nesses ambientes é mais perversa do que a existente fora dos muros e grades, o que inclui agressões e abusos. Religiosos são considerados traidores por optarem um caminho diferente das facções. Já os trabalhadores são vistos como aliados da guarda, por isso inconfiáveis.
 
Em meio a tantos problemas do sistema, surgem iniciativas que podem ser consideradas como uma luz no fim do túnel, tema do 11° episódio. Uma delas é o método Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado). Criado em 1972 pelo advogado e jornalista Mario Ottoboni para evangelizar e dar apoio moral aos presos, a experiência, que tem como objetivo a humanização do cárcere, já é aplicada em mais de 100 prisões do Brasil e do Exterior, com altos índices de ressocialização e baixos custos.
 
O 12º capítulo debate o polêmico regime semiaberto que, de acordo com a lei, deveria servir de transição entre o fechado e a volta do apenado às ruas. A falta de estrutura e o descontrole, no entanto, fazem do regime uma ameaça a apenados, que sofrem com pressões, extorsões e tortura de parte de facções (quando não são mortos), e à sociedade, devido à facilidade com que presos saem dos estabelecimentos, cometem crimes do lado de fora e retornam sem serem notados. O episódio final aborda as dificuldades do recomeço e as ofertas para retomada da carreira criminosa.
 
“Retratos do Cárcere” foi filmado em presídios estaduais e federais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. É estruturado em imagens inéditas, incluindo o bastidor de rebelião ocorrida Penitenciária Estadual do Jacuí, localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre. Apresenta depoimentos e análises de especialistas, pesquisadores e profissionais do sistema de segurança pública e crime organizado do Brasil.  Assinam o audiovisual Panda Filmes e Falange Produções.
                 
SERVIÇO: SÉRIE DOCUMENTAL “RETRATOS DO CÁRCERE”
Estreia: 6 de Agosto, quinta-feira
Canal de TV por assinatura: Prime Box Brazil
Exibições inéditas: quartas-feiras, às 20h30
Último episódio: 29 de Outubro
Reprises: sextas-feiras, às 11h; domingos, às 9h30; terças-feiras, às 12h30; e quartas-feiras, às 10h30
Temporada: 13 episódios de 30 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
 
SOBRE PRIME BOX BRAZIL
O canal de TV por assinatura Prime Box Brazil exibe produções nacionais de vários gêneros, com destaque para séries, documentários, bem como curtas, médias e longas metragens. Abre espaço para novos criadores, ao estimular a diversidade regional, e diretores consagrados. Integra a Box Brazil, maior a programadora independente de canais brasileiros na TV paga, que alcança cerca de 36 milhões de pessoas diariamente. Também fazem parte desse grupo no território brasileiro: Music Box Brazil (dedicado à música nacional), Travel Box Brazil (viagens) e FashionTV (moda). O Boom TV transmite filmes e séries dos grandes estúdios para Angola e Moçambique. O Prime Box Brazil é distribuído por NET, Claro, Sky, Vivo, Oi, entre outras operadoras do país, e plataformas Prime Video e TeleUP no mercado internacional.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

CINEASTA RESSIGNIFICA O LUTO POR PERDA HUMANA NO CONTATO COM ESPIRITISMO

Em Busca de Kardec estreia no dia 1 de Julho, às 20h30, no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil 
 O cineasta francês, Karim Akadiri Soumaïla, mergulha pelo espiritismo para ressignificar o luto pela morte da filha, Ifa. Ele parte da Europa para o Brasil, onde tem contato com a sua primogênita por meio de pintura mediúnica e descobre escritos inéditos do codificador da doutrina. Essa experiência é documentada pela série investigativa Em Busca de Kardec (teaser), na qual o protagonista é também diretor, corroterista e narrador. O audiovisual estruturado em oito episódios estreia no dia 1 de Julho, às 20h30, no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil.
 
A história desse pai se entrelaça no seriado por várias semelhanças. Soumaila testemunha em Paris o interesse do poeta Victor Hugo pelas mesas girantes no século XIX, após morte da filha mais velha Léopoldine. Na Suíça, visita o Castelo de Yverdon onde o menino Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), pseudônimo do ilustre codificador, estudou com o educador Johann Heinrich Pestalozzi. Allan Kardec se aproxima do espiritismo depois de lutos pessoais. Ele foi contemporâneo da 3ª pandemia mundial de Cólera (1846-1860), que ceifou milhares de vidas, e de tensões políticas (Revoluções de 1830 e 1848), numa época do avanço científico e declínio da religião.
 
A investigação é embasada na pesquisa de Dora Incontri, prestigiada fonte acadêmica sobre o espiritismo. A corroterista da série imprime narrativa imparcial e não proselitista, mas respeitosa, sobre essa que é a 3ª mais populosa religião do Brasil (Censo Demográfico – IBGE) e o maior movimento espírita do mundo. Contrapondo-se ao adormecimento precoce na França, onde floresceu no século XIX, depois de ter nascido nos Estados Unidos. O filme debate a ascensão das filosofias materialistas e niilistas no século XIX, por meio da análise de obras originais, inclusive a primeira edição do Livro dos Espíritos. Entrevista sociólogos, historiadores, antropólogos, lideranças e praticantes.
 
Em território brasileiro, o viajante conhece o legado dos guardiões kardecistas, dentre eles o médium Chico Xavier, natural de Uberaba. Também constata divergências entre diferentes correntes no país. Como discernir o verdadeiro do falso e evidenciar a fraude? Os puristas fazem questão de distinguir. Soumaila dialoga com estudioso do sincretismo afro-brasileiro, do Candomblé e da Umbanda, para entender o enraizamento das filosofias pós-morte no Brasil.
 
De descendência afro-caribenha, com raiz Yorubá de Benin, o cineasta parisiense se aproxima das tradições religiosas de Salvador. É também na capital baiana que recebe mensagem perturbadora com pintura da fisionomia de sua filha, Ifa, falecida em acidente quando adolescente, transmitida por Florêncio Anton. O médium é o fundador-dirigente do Grupo Espírita Scheilla e acumula a produção de mais de 27 mil telas pintadas, incorporado por 105 pintores desencarnados. A lista abrange Rembrandt, Picasso, Renoir, Van Gogh, Monet, Da Vinci, Lautrec e Chagall.
 
No episódio final, Karim Akadiri Soumaïla se depara com cartas e manuscritos de Allan Kardec localizados em São Paulo, onde é radicado. O acervo, que lançará luzes sobre os primórdios do espiritismo, passa por tradução para o português e digitalização. O pesquisador paulista Silvino Canuto de Abreu (1892-1980) recebeu esses manuscritos antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), salvando-os dos nazistas que invadiram Paris. Os materiais estão sob tutela da Fundação Espírita André Luiz (Feal).
 
Em Busca de Kardec é uma série original da LightHouse Produções Cinematográficas com produção de Ricardo Fadel Rihan. O profissional tem em sua filmografia os longas-metragens Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito, As Mães de Chico Xavier e O Filme dos Espíritos, além do thriller político REAL – O Plano por trás da História.